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OS FRANCESES

  • Foto do escritor: Iêda Lima
    Iêda Lima
  • 17 de abr.
  • 3 min de leitura

Ler Os Franceses, de autoria de Ricardo Corrêa, Editora Contexto, 2013, levou-me a concordar com o autor, quando ele resume no epílogo que "entre todos os povos da Terra, os franceses são provavelmente os mais irrequietos e inconformados, sempre em busca de inovação e obstinados na sua convicção de que só as luzes da razão são fonte para o progresso social, científico e econômico da humanidade".

 

Se eu tivesse lido essa obra antes de visitar a França, teria olhado aquele país com tudo que aprendi sobre a formação do seu povo, desde os gauleses; seu império colonial; o processo de descolonização, após a II Guerra Mundial; as relações e guerras com seus vizinhos; a Revolução Francesa, pela qual "a nação iria preponderar sobre o Estado, a liberdade, a igualdade e a fraternidade seriam os valores a ocupar o lugar do poder e da ordem, além da República, que viria tomar o lugar do Reino". 

 

Teria observado melhor seu comportamento social e a sua maneira de se comunicar, da qual faz parte o silêncio, a maneira de tratar seus males, como por exemplo "dois buracos negros na história recente dos franceses: o seu passado colonial e a colaboração com a Alemanha nazista, durante a II Guerra Mundial". 

 

Ah se eu tivesse mais tempo! Apreciar com mais tempo as formas preferidas de lazer e a maravilhosa gastronomia francesa, simples porém cuidadosamente temperada, na companhia dos melhores vinhos e queijos do mundo certamente teria me estimulado a estudar francês. 

 

Já nos últimos capítulos, porém não menos importante, Ricardo apresenta ao leitor como evoluiu a Educação, com base na escola pública, "o maior e mais decisivo instrumento de construção da sociedade e do Estado republicanos na França"; e de como se caracteriza a formação escolar dos franceses, desde a infância até a fase adulta. 

 

A arte, último tema de Os Franceses, foi apresentada em sua linha temporal, desde o teatro clássico de Corneille, Molière e Racine, incluindo tragédias e comédias, até o popular; a pintura, da clássica à romântica, com a criação do Museu do Louvre, em 1793, onde se encontram peças famosas como a do italiano Leonardo da Vinci e dos franceses Fragonard, Claude Gellée (também conhecido como Claude Lorrain), com suas pinturas clássicas. O autor destaca ainda o francês Jacques-Louis David, da pintura neoclássica; e os franceses Eugène Delacroix e Theodore Géricault, do romantismo. Em seguida veio o impressionismo, após um "estado de letargia e esclerose" como diz Ricardo.

 

Assim, surgiram os inesquecíveis Claude Monet, Pierre August Renoir, Edgar Degas, Camile Pissaro, Alfred Sisley e Gustave Caillebote. Da mesma maneira como os romancistas sofreram resistência, esses jovens pintores também. Porém, suas obras foram capazes de desestabilizar "o stablishment artístico-acadêmico francês", deixando um imensurável legado, apesar da curta duração. A seguir, vieram os pós-impressionistas Cézanne, Gauguin e Van Gogh. 

 

Passando para a literatura, Ricardo destaca o romance, para o qual "deixaram profundas marcas na literatura francesa e universal, como Honoré de Balzac, Victor Hugo, Gustave Flaubert, Charles Baudelaire, Émile Zola e Guy de Maupassant, que até o final do Século XIX eram considerados pela Academia Francesa como um estilo de menor valor. Balzac rompeu essa resistência. 

 

Já finalizando o tema Arte, o autor dedica um curto porém denso trecho da sua obra sobre: a) a música francesa, destacando o impressionista Claude Debussy e o amigo, porém anti-impressionista Eric Satie; e Maurice Ravel; b) o cinema, inventado pelos irmãos Lumière, "tendo inicialmente a França por sede e Polo de irradiação", cuja glória foi superada por Itália e Alemanha, retomando no final de 1950, com a nouvelle vague (nova onda), tendo François Truffaut, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Éric Rohmer como seu núcleo duro; e c) a arte nas ruas e praças, manifestada pelo seu rico patrimônio material, que os franceses souberam conservar, como imaterial representada pelos imortais Yves Montand, Édith Piaf e Charles Aznavour.

 

Assim, Ricardo Corrêa, formado como cientista social com doutorado em Ciência Política, e dono de uma sólida experiência na gestão educacional brasileira, conseguiu nas 335 páginas da sua obra fazer um retrato da França, presenteando ainda o leitor, ao final, com algumas receitas, que inclui o Beaf bourguignon (carne à moda da Borgonha), um prato principal clássico de sabor inigualável! 

 

Imperdível!!!

 

OS FRANCESES 

Ricardo Corrêa Coelho 2. ed.

São Paulo: Contexto, 2013


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Iêda Lima

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