Com os olhos no chão
- Iêda Lima

- há 6 dias
- 3 min de leitura
Ter a chance de ler essa obra memorável de um dos maiores cronistas do país, o paraibano Gonzaga Rodrigues, é um presente da vida, em especial por ter sido autografado por ele, aos 92 anos de idade, dotado de uma memória invejável.
Gonzaga reúne “seleta das antigas e novas da velhice”, como abre seu valioso livro “Com os olhos no Chão”, ilustrado pelo artista Flávio Tavares, com projeto gráfico-editorial do inesquecível Juca Pontes, e editado pela MVC/Forma, em 2023, em duas partes, das suas crônicas publicadas pela vida afora.
Das 102 peças resgatadas, algumas delas graças a recortes guardados pela sua filha Graciele, que conquistaram espaço nesta obra, são muitas que nos transportam para sentir o cheiro da terra e da vida da população de Alagoa Nova, de Campina Grande, de João Pessoa, da Paraíba em geral e Brasil como um todo.
Mais que isto! Gonzaga Rodrigues nos faz entrar em contato com Ariano Suassuna (Na casa de Ariano), Rubem Braga (A morte perdeu seu tempo), Oswald de Andrade (Achei-me), Miguel Arraes (Na ponte de Recife), Assis Chateubriand (O fenômeno), Celsa Furtado, Virginius da Gama e Melo e Pe. Gonzaga (Os meninos de 1930). Álvaro Moreira (Crônica ao piano), Eisenhower (Fui ver com meus olhos), Ana Alice Caldas (A horta de Ana Alice Caldas), Elba Ramalho (Veio o beijo sim), Lucy Alves (Menina de Itaporanga) e Luiz Gonzaga (O Brasil vai, vai...)
Como dizia, são muitas crônicas que poderiam ser destacadas. Mas algumas delas tocaram mais fundo no meu coração, dentre elas: Na casa do Ariano; A morte perdeu seu Tempo; Perigam as Itacoatiaras; Crônica ao piano; Quem é ela, meu Deus?; A torneira, essa maravilha; Repositórios; A falta que Lauro faz; Parada no sinal; Fui ver com os meus olhos; Tempos de Médici; Menina de Itaporanga; O Brasil vai, vai...; Os meninos de Sucuru; e Por trás do palco.
Assim como ele diz que o Ipê perpassa nosso íntimo, “Com os olhos no Chão” penetra nossa alma e nos leva a refletir sobre a importância da memória histórica para reconhecer grandes feitos e não deixar repetir o que só destruiu a sociedade, a riqueza de ter amigos ainda que tendo que alimentar a amizade à distância, a importância de viver intensamente cada momento da vida, atuando de maneira consciente para orientar crianças e jovens sobre a crise de segurança e a maldade das drogas, além de uma triste porém necessária denúncia de descaso de boa parte dos políticos brasileiros perante a miséria no país.
Tudo isto com uma linguagem simples, porém filosoficamente densa.
Luiz Gonzaga Rodrigues nasceu em 21 de junho de 1933, na cidade de Alagoa Nova, Estado da Paraíba. Iniciou o curso primário no Grupo Escolar Professor Cardoso, em Alagoa Nova, vindo concluir em Campina Grande/PB, no Colégio Diocesano Pio XI, onde iniciou o ginasial, que veio concluir na capital do Estado, no Lyceu Paraibano. Ingressou no Jornal O Norte como revisor, passando a redator e, em seguida a editor. Essas mesmas funções ele exerceu no Jornal A União, chegando a Diretor Técnico. Colaborou como cronista nos jornais O Norte, A União e no Correio da Paraíba. Ainda publica semanalmente, aos domingos, suas crônicas no Jornal A União. Gonzaga Rodrigues foi Secretário de Comunicação Social do Estado; Presidente da Associação Paraibana de Imprensa; coordenou, com o historiador e escritor José Octávio de Arruda Mello, o livro Capítulos de História da Paraíba. Publicou: Notas do meu lugar (crônicas) 1979; Um sítio que anda comigo (crônicas), 1983; Filipéia e outras saudades; Parahyba, a cidade, o rio e o mar (álbum); José Maria dos Santos (ensaio biográfico –Coleção Nomes do século, A União, 2000); e Olhos no Chão (crônicas), 2023. Assumiu a Cadeira nº 37 da Academia Paraibana de Letras (APL), em 27 de agosto de 1993. Que siga nos presenteando com sua arte de escrever, que são a prova concreta de que a boa crônica compõe a literatura.





A herança deixada através de palavras, para aqueles que tem a oportunidade de desfrutar de belas obras. A literatura que enriquece.
Meus parabéns por essa obra tão linda e maravilhosa, uma crônica que abala o coração só em ler. Tudo perfeito! gostei de ler o meu muito obrigada por lembrar de mim e um grande abraço! Josélia Cardoso 👏👏👏