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O menino que bebeu o mar

  • Foto do escritor: Iêda Lima
    Iêda Lima
  • 23 de fev.
  • 3 min de leitura

  Ivan Carlos Regina é um daqueles amigos que pensam um pouco diferente de como eu vejo o mundo e a sociedade, mas que também me ensina muito, em especial pelo seu jeito de respeitar as pessoas como elas são. 

Além disso, é um grande gastrônomo, não profissional, com quem tenho aprendido a agradável relação entre uma comida que estimule nossa percepção sensorial e um bom vinho.

Isto ele relata, magistralmente, no seu último livro, lançado no dia 07 de fevereiro de 2026, na Casa das Rosas, em São Paulo/SP.

Bauruense, nascido em 15 de março de 1953, o escritor Ivan Regina já publicou 26 obras, entre 1989 e 2025. Dentre elas estão "Enquanto houver Natal (oito histórias de ficção científica)"; O fruto maduro da civilização"; "Harmonizando vinho e comida"; e o último "O menino que bebeu o mar".

É sobre este que irei deixar aqui meu comentário, considerando as duas partes que ele estruturou seu livro, sendo a primeira composta por belas crônicas gastronômicas mesclada com memórias da sua infância; e a segunda, na qual ele relata como foi um menino maroto, curioso, que adorava brincar no pátio de manobras da Estada de Ferro Noroeste, de Bauru; ou no meio dos ferros-velhos, onde ele descobriu que poderiam lhe render algum dinheiro, para comprar pipoca e guloseimas; além de jogar futebol de botão.

Brincar nas pilhas de ferro velho segundo ele, “...o perigo era grande, mas eu esgueirava como um gato por entre as pontas afiadas e as partes carcomidas do metal em decadência, pois eu tinha confiança nos meus olhos de lince e na força guerreira de minhas patas de leão...Desde a mais tenra idade eu adorava brincar nesses depósitos, que eu explorava como Teseu[1] perseguindo Minotauro, que teimava sempre em escapar....”

Das suas lembranças sobre preferir ser atacante e não goleiro, conforme queria seu pai, até hoje ele guarda um amuleto, um botão que ele usou para vencer na prorrogação, “que jamais me será furtado e com ele.., serei enterrado”.


Na primeira parte da obra, Ivan Regina reúne uma série de crônicas gastronômicas, que revelam como a percepção sensorial da comida e do vinho entraram na sua vida, tornando-o gastrônomo “como um dom ou talento que se recebe de Deus ou da Natureza e, como na parábola bíblica, é preciso usá-lo e fazê-lo frutificar”.

Destaque para as seguintes crônicas: “De meninos e atum”; “Comendo fora do mapa”; “Eu sou no mínimo SEIS”; e “Ivan e o Vinho”.

Em “Eu sou no mínimo SEIS”, o autor conta como sua opinião sobre uma comida passou por metamorfose com o tempo e se identifica com heterônimos gastronômicos, “...entes que fui em outras encarnações e que hoje compõem o meu paladar”. Cita a seguir seis personalidades que “somadas, são o que eu sou”.

Domenico Buonarroti, irmão de Michel Ângelo, de quem “herdei o gosto para comer coisas finas e odiar churrasco (principalmente em espetos”.

Giovanni da Régio Calábria, de cujo pescador herdou “o gosto pelas coisas do mar (principalmente os frutos do mar crus) e a aversão ao sol e ao sal, dois elementos que estragam a comida.

Manoel dos Tremoços, português que adorava o bacalhau e o Douro.

Sansara, hindu, que viveu há mais de seis mil anos atrás, na Índia, que naquele tempo não tinha este nome, de quem herdou “uma certa pureza santa que às vezes me ataca, soturna e eventualmente”. Ele foi vegetariano.

Tohiro Yama, japonês, de quem “herdei o apetite pela beleza da comida e o gosto por acepipes orientais”.

E finalmente, “de quase todos eles, o amor e o conhecimento do vinho”.


Vindo de uma família que não tinha nenhuma relação com a gastronomia, por que não seria possível essa mistura dos seis na sua formação?


Leitura gostosa, que nos leva a conhecer melhor o autor, desde seu tempo de menino travesso até seus 73 anos, que completará dia 15 de março próximo.


[1] Teseu foi um grande herói ateniense, na mitologia grega. Seu nome significa “o homem forte por excelência.



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Iêda Lima

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