EU E OUTRAS POESIAS

Publicado pela Editora Tamarindo, em 2025, esta obra de Augusto dos Anjos (20/04/1884-12/11/1914), que viveu apenas 30 anos, nos apresenta os distintos estilos desse poeta nascido em Sapé, na Paraíba, com o excelente ensaio de outro grande poeta e crítico literário paraibano, que completou 74 anos dia 09/10/2026, Hildeberto Barbosa Filho.
Confesso que foi difícil para mim, não somente pela abundância das palavras que o jovem Augusto dos Anjos usava, como pelos estilos distintos que ele criava. Mas usei a paciência, como principal arma para aprender a gostar do estilo desse escritor, que à época teve que romper com sua terra para ser reconhecido.
Curioso é o nome da editora, que representa um símbolo da vida do poeta. Era embaixo de um Tamarindo que ele criava poesias, poemas e sonetos.
Estive embaixo dessa histórica árvore, quando fui conhecer o Memorial Augusto dos Anjos, em Sapé/PB. Trouxe uma muda para Brasília e plantei. Espero que daqui a alguns anos, meus netos mais novos possam aproveitar sua sombra e ler EU embaixo dela.
Com os ricos comentários de Orris Soares e Hildeberto Barbosa Filho, o leitor consegue aproveitar muito bem essa obra, cujos poemas começaram a ser escritos em 1901.
Sobre o estilo do autor, Hildeberto fala que a poesia de Augusto dos Anjos “está centrada num conflito básico e recorrente: de um lado...a partir do qual se modela toda uma visão pessimista, face ao processo natural de decomposição de coisas e seres... de outro, um olhar subjetivo forjado na intuição criadora...”.
A seguir, Hildeberto fala o mais importante, do meu ponto de vista: “Ao Augusto cientificista, naturalista, materialista, pessimista, enfim, racional, opõe-se o Augusto imaginário, subjetivo, às vezes utópico...que garantem a unidade estética na poesia...”
Ao falar da estesia, ou seja, da capacidade do autor de sentir e de perceber sensações, Hildeberto encerra seu ensaio dizendo que “a junção entre termos eruditos e populares, desencadeando, assim, atritos lexicais de fulminantes estranhamentos, e seu intenso compromisso com o tecido significante da própria linguagem constituem, em síntese, fatores iniludíveis do estilo e da estesia, na expressão poética de Augusto dos Anjos”.
Com esse apoio teórico, fui buscando compreender essas duas facetas do autor.
Assim, descobri verdadeiras joias raras, como “Debaixo do Tamarindo” (p. 67); “Vozes da Morte” (p.97), onde ele conversa com seu Tamarindo; “Insônia” (p. 169); “O meu Nirvana” (p. 188); “Minha finalidade” (p.212); “Mágoas” (p. 251), quando ele tinha apenas 17 anos; “Senectude Precoce” (p 279); “André Chévier” (p.280); “Nimbos” (p. 327); “Ideal” (p. 336); e “Estrofes Sentidas” (p. 376-378).
Por fim, como bem disse Orris Soares (14/10/1884-11/02/1964), o escritor, jornalista e dramaturgo paraibano, contemporâneo de Augusto dos Anjos, e um dos intelectuais mais influentes na época, “O título do livro vale por uma autopsicologia”!
Leitura imperdível!!!





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